Cidade

Localização/Caraterização

 

Região:   Centro

Subregião: Médio Tejo

Distrito: Santarém

Área: 13,7 Km2

População: 21,558 ( Pordata 2019)

Densidade Demográfica: 1.538,6 Hab/Km2

Nº Freguesias: 2

 

Freguesia de S. João Baptista

- Área: 4,6 Km2

- Nº eleitores: 6.637 (setembro de 2017)

 

Freguesia de Nossa Senhora de Fátima

- Área: 9,2 Km2

- Nº eleitores: 10.459 (setembro de 2017)

 

É o segundo município mais pequeno do País, em termos de área territorial, sendo limitado a leste pelo município de Vila Nova da Barquinha, a sul pelo município da Golegã, e a oeste e norte pelo município de Torres Novas.

 

História

 

Breve história do Concelho

concelho

 

O Entroncamento é cidade e sede de concelho com 13,7 quilómetros quadrados e 21.558 habitantes (Pordata 2019). Localiza-se no Vale do Tejo e pertence à Região Centro, sub-região do Médio Tejo. Situado no centro do Ribatejo, beneficia da sua inserção geoestratégica na região do Vale do Tejo e de boas acessibilidades ferroviárias e rodoviárias. Tem duas freguesias, uma de cada lado da linha férrea que atravessa o concelho. Confina com o concelho da Golegã a sul, com o de Torres Novas a poente e a norte, e com o concelho de Vila Nova da Barquinha a nascente. Dista 7 km de Torres Novas, 19 km de Tomar, 43 km de Santarém e 120 km de Lisboa.

 

Nasceu em meados do séc. XIX, com os alvores da construção ferroviária, e começou por ser uma simples estação de caminhos-de-ferro. Por perto existiam dois lugarejos de poucos habitantes (o Casal das Vaginhas e o Casal das Gouveias), onde se vieram estabelecer os primeiros trabalhadores. Os técnicos eram, na sua maior parte, estrangeiros, a mão-de-obra veio, numa primeira fase, de diversos pontos do país, depois acentuou-se o afluxo de trabalhadores vindos da Beira Baixa e Alentejo.

 

O nome da cidade deriva do entroncamento ferroviário que aqui se formou, com a junção das Linhas do Norte e do Leste, em 1864. Charneira das ligações com o Leste e Beira Baixa, a estação do Entroncamento foi, durante décadas, ponto de paragem obrigatória para quem mudava da linha do Norte para a do Leste e vice-versa, quando o comboio era o meio de transporte mais utilizado.

 

Nesse tempo, muitos viajantes ilustres vindos da Europa pela Linha do Leste, ou fazendo o percurso inverso, almoçaram ou jantaram no restaurante da estação. Nas suas obras literárias, vários escritores se lhe referiram: Hans Christian Andersen, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz, Alberto Pimentel, Luzia (pseudónimo de Luísa de Freitas Lomelino) e Eduardo Meneres.

 

A estação do Entroncamento conheceu figuras da cena política, desde a realeza até ao pós-25 de Abril. Assistiu, em 1915, ao atentado a João Chagas, político e jornalista, que seguia para Lisboa para assumir a direção de um novo governo, após a ditadura do general Pimenta de Castro.

 

Embora pequena, a povoação nascente pertencia a duas freguesias e a dois concelhos, porque a via-férrea assim determinara: a poente das linhas, situava-se na freguesia de Santiago, concelho de Torres Novas, a nascente da via, o território pertencia à freguesia de Nossa Senhora da Assunção da Atalaia, concelho de Vila Nova da Barquinha. A pequena aldeia foi crescendo, devido ao desenvolvimento dos transportes ferroviários e às respetivas estruturas de apoio aqui construídas – oficinas e escritórios. A instalação de aquartelamentos militares, a partir de 1916, determinada pela situação geográfica e as acessibilidades ferroviárias, aumentou ainda mais a importância estratégica deste lugar em pleno desenvolvimento e, consequentemente, aumentou também a população. Aos ferroviários vieram juntar-se os militares e respetivas famílias.

 

Em 25 de Agosto de 1926 a povoação foi elevada a freguesia, em 1932 a vila e em 24 de Novembro de 1945 foi promovida a concelho. Aos 20 dias do mês de Junho de 1991 o Entroncamento é elevado a cidade. Entre estas datas, o percurso foi de emancipação progressiva dos concelhos a que tinha pertencido, libertando-se, em primeiro lugar, de Torres Novas e depois da Barquinha. Ser, no mesmo século, aldeia, vila e cidade talvez seja um destino pouco comum na história das terras portuguesas.

 

Do pequeno núcleo de operários e respetivas famílias que povoaram esta terra no final do século passado, chegou-se aos anos trinta com mais de 3.000 habitantes, em 1945 eram já 8.000 e esta progressão foi continuando ao longo do tempo. Em Março de 2005, estima-se a população atual em cerca de 21.125 residentes. O aumento populacional e a expansão contínua da área habitada justificaram que, em 2003, fosse criada uma segunda freguesia (Lei 68/2003, de 26 de Agosto). Voltou-se, assim, à situação inicial: uma freguesia a poente da via-férrea (Nossa Senhora de Fátima), a outra a nascente (São João Baptista), mas as duas pertencendo agora ao concelho do Entroncamento.

 

A taxa de crescimento demográfico desta localidade, entre 1981 e 1991, foi de 18,8%, a mais elevada do Médio Tejo, contrariando a tendência geral nesta região para um declínio acentuado da fecundidade e acentuado envelhecimento populacional. De 1991 a 1996, a população aumentou de 14.226 habitantes para 15.500, com uma taxa de crescimento mais baixa do que nos anos anteriores (9%), mas que fez do Entroncamento o concelho do Médio Tejo com maior densidade populacional. O número estimado para a população atual (21.125) não contempla os residentes recenseados noutras localidades nem a população flutuante, dependente de trabalhos temporários. Efetivamente, é tido como certo que o Entroncamento tem mais de 21.000 habitantes.

 

Nos anos quarenta do século XX, o Entroncamento era, depois do Barreiro, o segundo meio operário do país, representando o operariado mais de metade da sua população. A CP dotara a povoação de uma série de estruturas de apoio social, de uma dimensão talvez única a nível nacional, criando bairros para os empregados, uma escola, um armazém de víveres, um dispensário antituberculoso que funcionava como um centro de saúde, e ainda fomentava atividades desportivas. Paralelamente, com a evolução das tecnologias e o desenvolvimento das atividades ferroviárias, ia expandindo a área oficinal e reforçando a formação de pessoal, que teve o seu ponto alto na criação de um centro de formação, hoje designado por FERNAVE, um enorme edifício criado de raiz para estas funções, e que albergou o Instituto Superior de Transportes.

 

A partir dos anos setenta, devido a alterações conjunturais ditadas pela história e pelo passar do tempo, esta situação inverteu-se. Com a gradual substituição da tração a vapor pelo equipamento diesel e elétrico e a introdução de novas tecnologias, assistiu-se à diminuição da mão-de-obra e à implementação de novas profissões, surgiram outros centros de interesse e de atividade profissional. Hoje, o Entroncamento ainda tem muitos residentes ligados profissionalmente aos caminhos-de-ferro, mas sem a dimensão do passado. As principais atividades do concelho são agora o comércio e serviços, e indústrias ligadas à construção civil.

 

Dados recentes, do INE, sobre o poder de compra concelhio em 2004, apresentam o Entroncamento como o concelho que evidencia maior poder de compra no distrito de Santarém.

 

Neste novo quadro social e económico, a matriz primeira do Entroncamento não está esquecida. Consciente das suas raízes e da importância do seu complexo ferroviário na história dos caminhos-de-ferro portugueses, a 24 de Novembro de 2004, data de aniversário da fundação do concelho, a cidade acolheu com entusiasmo e expectativa a apresentação da proposta preliminar de ordenamento (revisão do plano diretor) do Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado e da Fundação que o vai gerir, sua legítima aspiração desde os anos setenta do século passado.

 

Fonte: Manuela Poitout

Galeria de Imagens

 

Heráldica

 

 Brazao1

 

Heráldica

 

Brasão - de negro, com um disco de sinalização, fechado de vermelho, orlado de prata, hasteado de ouro entre dois perfis de carril do mesmo. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com a inscrição, a negro, 'Entroncamento'.

 

Bandeira - Gironada de oito peças de vermelho e branco, cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

 

Selo branco - circular, com as peças do escudo soltas e sem indicação dos esmaltes, tudo circundado por dois círculos entre os quais corre a legenda ' Câmara Municipal do Entroncamento'.

 

Diário da República Nº 203 - III Série, 3 de Setembro de 1992.

 

Fenomenos

 

Fenómenos

 

O nascimento do mito dos Fenómenos do Entroncamento deveu-se simplesmente da procura de “coisas” que pudessem causar sensação. Nesta altura, entre 1940 e 1950, o país que mais impressionava, a nível de casos insólitos, eram os Estados Unidos da América, e as notícias chegavam a Portugal por meio de telegramas.

 

Os jornalistas que mais divulgaram os Fenómenos do Entroncamento foram Leitão de Barros e Eduardo O. P. Brito. Este último jornalista foi que influenciou a procura, nos limites da nossa cidade, de “coisas” sensacionalistas. Ele próprio noticiou de imediato o seu primeiro Fenómenos – um melro branco.   A população entroncamentense fascinada pelo fenómeno, aparecido na própria terra, entusiasmada, começaram também a procurar casos insólitos. Não foi difícil a procura, seguiram-se inúmeros achados fantásticos, como por exemplo um ovo de galinha com 800gr. Esta descoberta foi tão sensacionalista que foi notícia no jornal francês “France Soir”. Foi a partir destas notícias na imprensa nacional e estrangeira que o Entroncamento ganhou o estatuto de Terra dos Fenómenos.   Os Fenómenos para além de divulgados também foram comercializados. O estabelecimento comercial “Casa Carloto” elaborou algumas coleções de copos de vidro com decalques de Fenómenos. O atual dono, Sr. Carlos Carloto, conta como nasceu a ideia: “os famosos copos do Fenómenos datam finais de 1950, e foram feitos de uma só cor, ao contrário do que hoje acontece. A grande maioria dos decalques foi composta em tertúlia de amigos, na rua Latino Coelho.”   Um outro estabelecimento comercial fomentou a procura de Fenómenos. A “Tabacaria Luanda” expunha na sua montra os Fenómenos que consideravam realmente sensacionais para que as pessoas pudessem testemunhar. Na sua maioria era exposto, sobretudo, vegetais e frutas com formas e tamanhos fora do normal.

 

Com o passar dos anos os Fenómenos foram perdendo a sua força, talvez por causa da sua desmistificação através do avanço da ciência. Os cientistas não consideravam os vários achados fenómenos, devido a sua explicação científica – mal formações genéticas e biológicas. Talvez tenha sido por esta razão que o Entroncamento perdeu o seu encanto em relação ao seu cognome de Terra dos Fenómenos. Os Fenómenos passaram a ter uma explicação científica.   Porém, é de salientar que ainda hoje se fazem anúncios na televisão e comentários alusivos ao Entroncamento e aos seus fenómenos.

 

Em nota final, recordamos o protagonista do mito dos Fenómenos do Entroncamento. O jornalista e residente desta terra Eduardo O. P. Brito foi quem mais divulgou esse nosso “património fantástico”. O seu nome ficará para sempre ligado ao Entroncamento, sendo considerado  como o “Pai” dos Fenómenos. A 27 de Maio de 2002 a Câmara Municipal atribuiu o seu  nome a uma rua situada na Urbanização Casal Saldanha. Faleceu no dia 30 de Dezembro de 2009, aos 97 anos de idade.

 

“Entroncamento Terra dos Fenómenos” concorre às 7 maravilhas da Cultura Popular – Categoria Lendas e Mitos - AQUI


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